Míriam está brincando na sala. Gosto de parar de vez em quando, sentar
na cadeira e observá-la. Ela percebe minha presença, olha pra mim, dá um
gritinho, sorri e volta a se concentrar na brincadeira. Ao redor dela
uma infinidade de brinquedos coloridos, dos mais baratos aos mais caros,
de plástico e de pelúcia, eletrônicos, musicais e também tampas,
colheres, potes, peneiras... e tudo que achei de colorido e inofensivo
pela casa. Uma bagunça! E ela sorrindo, observando, mexendo, fuxicando,
explorando, descobrindo o mundo... De tempos em tempos para, olha pra TV
e faz as mais variadas expressões para Pocoyo, o seu personagem
favorito. Olha pra mim novamente e sorri. Ela tá sempre sorrindo. Por
qualquer coisa. Por coisa nenhuma. Há momentos até em que ela gargalha e
gargalha e ninguém entende o porquê. É engraçado tanta alegria sem ter
uma piada, uma cosquinha, um gatilho qualquer. Apenas alegria
transbordando, alegria que não cabe mais num corpinho tão diminuto.
Conviver
com uma criança faz a gente repenssar tanta coisa. Temos tanto a
aprender com as crianças! Se pudermos parar para ouvi-las e observá-las.
Se pudermos estar com elas de verdade, num encontro autêntico, sem
pensar em problemas, compromissos, nada. Apenas estar ali! Apenas
absorver um pouquinho de tanta vitalidade, da vida que escorre e se
espalha no meio dos brinquedos.
Ela está lá agora, brincando,
vendo Pocoyo e vivendo um monte de descobertas. E eu estou aqui com esse
sentimento de realização, de sucesso, de competência, de certeza, de
amor. Convicta de que minha vida já valeu a pena.
Texto escrito por mamãe.